Por Fernando Mozart Baumworcel
Vivemos em uma sociedade prenhe de informação, conhecimento e consumo, na qual nossa atenção é avidamente disputada. As atrações da mídia empreendem uma intensa competição pelo interesse do consumidor potencial, utilizando recursos poderosos e diversificados para mobilizar sensações, corações e mentes.
Estamos imersos num mundo que precisa chamar nossa atenção de qualquer maneira, o tempo todo, direcionando nosso olhar, envolvendo-nos, persuadindo-nos. E faz isso, cada vez mais, com apelo à ludicidade. As linguagens midiáticas (com destaque para a publicidade) mobilizam com competência a demanda humana pelo lúdico, para nos atrair “voluntariamente” a consumir. E – sempre é bom lembrar – consumismo “come” criancinhas, mas não só.
Nesse mundo cheio de “psius” criativos e sedutores, como reagem as crianças ao “convite” a participar não pela conquista da atenção, mas pela obrigação? Afinal, qual é o sentido mais corriqueiro da expressão “chamar a atenção” na família e na escola?
Evidentemente, família e escola podem modificar seus modos de “chamar a atenção” sem necessariamente se transformarem em um circo eletrônico, ou uma agência de propaganda. Inspirar-se no bom lado lúdico e interativo da mídia não é nada mal, claro, mas as fontes principais de inspiração já estão disponíveis nos seus próprios territórios: as crianças e adolescentes, com suas inclinações “gravitacionais” rumo ao mundo da brincadeira.
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