Cinema e religião: as sutis alterações na teologia tradicional

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 “Um produto midiático que tenha assunto religioso sempre possui uma mensagem teológica. A consequência dessa produção de teologia pelo cinema é que ela altera sutilmente a teologia tradicional”

Cinema e religião: as sutis alterações causadas na teologia tradicional

Luiz Vadico

Estimados cinéfilªs, les hacemos atentªs a la entrevista con Luiz Vadico, professor titular de la maestría en Comunicación en La Universidad de Anhembi Morumbi, en São Paulo, quien nos habla sobre la interacción entre religión y cine,

en portugués, por supuesto –bueno para practicar está linda lengua, hablada por casi la mitad de la población de nuestro continente.

La entrevista fue publicado en el sitio del Mutirao de Comunicación que se desenvolverá de 2 a 7 de febrero en Porto Alegre Brasil. Compare la entrevista publicado en IHU On-Line em 16/01/2010.

Jos Demon.

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Não há dúvida de que, em uma sociedade alimentada pelo culto à imagem, o cinema é uma das fontes mais abundantes de elementos para a construção do seu imaginário social. E os construtos que daí nascem alcançam os mais diversos ambientes, como, por exemplo, templos e igrejas. Ou senão, entre os não crentes, o cinema também cativa pela espiritualidade vaga e difusa, sem um “Deus” único específico.

Para compreender como se dá essa relação cinema e religião, a IHU On-Line entrevistou, por e-mail, o Prof. Dr. Luiz Vadico, da Universidade Anhembi Morumbi, de São Paulo.

Para ele, “o cinema serve para emocionar”, citando Jean Mitry. Mas é também “um registro do imaginário social de uma época”. Por isso, nesta entrevista, Vadico nos ajuda a compreender qual a razão de Hollywood, especificamente, estar se voltando para temáticas espirituais de fundo religioso. Passando também pelo cinema autoral e brasileiro, o historiador e doutor em multimeios analisa também a obra do diretor polonês Krzysztof Kieslowski, “Decálogo” (1989), que será exibida na programação da Páscoa IHU 2010, em março deste ano.

Nos últimos anos, especialmente com o sucesso de “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson, temos visto o cinema abordar com mais força questões como a espiritualidade e a existência do ser humano diante do universo. Sinal disso é, por exemplo, o sucesso de bilheteria de “Avatar”. Como você analisa esse fenômeno? É uma tentativa de tentar buscar respostas a uma situação contemporânea de crise?

Luiz Vadico – O Cinema tentando encontrar respostas para uma situação de crise?! Bem, teríamos de ser muito otimistas para acreditarmos nisso. O cinema hollywoodiano tem uma preocupação séria, que é a do entretenimento. Raramente está buscando qualquer resposta para uma crise qualquer. Às vezes coopera nesta ou naquela questão, como foi o caso da cooperação com o governo americano no período da Segunda Guerra Mundial, mas lá se vão algumas décadas de distância. Hollywood se preocupa com o mercado, com o que dará uma boa bilheteria e com aquilo que a arriscará. E isso também foi uma verdade quando se tratou de grandes produções como os épicos bíblicos mais famosos, como foram os “Dez Mandamentos” (DeMille,1956), “Ben-Hur” (Wyler,1959) e diversos filmes de Cristo.

O que há de comum nesses casos? Ignoro como “Avatar” vem sendo anunciado nos Estados Unidos, mas no Brasil o seu apelo tem sido a “revolução tecnológica”. O público está sendo convocado para apreciar os efeitos 3D. Isso o filme tem em comum com todas as grandes produções hollywoodianas. Os efeitos visuais, as novas tecnologias agregadas etc. são o grande chamariz. Basta dizer, por exemplo, que “O Manto Sagrado” (1953) inaugurou o processo do cinemascope. Não era um filme religioso, tocava no assunto levemente. Mas o seu chamariz não foi o assunto; foi a nova tecnologia. E, mesmo naquela época, se tratava de uma nova tecnologia que visava fazer frente aos avanços da televisão. “Avatar” se trata de uma busca do cinema para se sustentar enquanto prática num mar de produtos midiáticos. Ele se deseja uma “experiência” que só pode ser vivida no espaço do cinema.

Em “Avatar” não é importante se há ou não panteísmo. O que é importante para o público é se há um bom roteiro que acompanhe as novas possibilidades tecnológicas. Pois o público atual já é bastante educado, e faz muita diferença a qualidade do roteiro. O fator determinante para pensarmos a questão religiosa relativa ao “panteísmo” é perguntarmo-nos acerca de quantos adeptos o panteísmo possui oficialmente, quantas igrejas, quantas almas ele salvou, quantas vidas ele realmente modificou.

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